Palavras do Mestre dos Mestres

Palavras de despedida do Professor Antonio Lopes de Sá no X Prolatino, realizado em novembro de 2009.

“Eu não sei quanto tempo de vida me resta. Quem me criou também determinará, naturalmente, a hora em que serei convocado para outras missões. Posso ver, nesse poente da vida, muitas coisas. Eu dediquei feriados, dias santos, horas que roubei da família para dedicar a vocês. A minha última palavra é: “Enquanto um sopro de vida me restar, ele será de vocês”. Não sou candidato a nada. Não é discurso político, mas quero estar no coração de vocês”.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Um novo mundo, uma nova contabilidade

Notícias
Por Enio De Biasi - www.administradores.com.br

Acompanhar a evolução do mundo nos últimos tempos não tem sido uma tarefa fácil. Smartphones, netbooks, blogs, twitter, audiobook, TV digital. As notícias giram pelo globo com a velocidade da luz, literalmente. Há uma enxurrada de informações que chegam aos nossos ouvidos, aos nossos olhos, nas nossas caixas de entrada.
São torpedos, e-mails, internet com imagem. Mas, como digerir e processar toda essa enorme quantidade de informação? Informação é sinônimo de conhecimento? Ler e tentar assimilar tudo o que nos chega faz com que tenhamos tempo suficiente para nos dedicar àquilo que nos faz crescer e ser feliz? Será que a sensação de cansaço e falta de tempo não é resultado desse bombardeio de informação, fazendo com que nos sintamos confusos e reticentes?
Você pode estar se perguntando o que essa divagação tem a ver com contabilidade, que está no título e é o tema desse artigo. No entanto, essa reflexão fará todo o sentido do mundo quando lembrarmos que a evolução do mundo também chegou à nossa velha e querida contabilidade. Quem poderia imaginar que o método criado pelo Frei Lucca Pacciolo fosse sofrer tamanha transformação desde o século XV, quando foi criado?
Um novo mundo está também surgindo na contabilidade, com a edição, no Brasil, de uma gama enorme de Pronunciamentos Contábeis, elaborados pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), que estão mudando a forma com que as empresas e, portanto, os contadores deverão elaborar suas demonstrações financeiras.
Todos aqueles que se formaram há mais de cinco anos fatalmente terão que renovar seu conhecimento, reestudar a contabilidade, de certo modo apagar aquilo que aprenderam nos cursos de Ciências Contábeis, para, a partir da mesma base conceitual (fez bem quem se aplicou na matéria de Teoria Geral da Contabilidade), reconstruir toda a técnica de escrituração contábil e de elaboração das demonstrações financeiras. São tantas as novidades – e em tão pouco tempo – que é difícil acompanhar todas as normas divulgadas pelo CPC.
Evolução. Essa é a palavra de ordem – também na contabilidade. O que se procura, com essa nova estrutura, é produzir demonstrações que sejam globais. Afinal de contas, estamos alinhando nossas normas com as práticas internacionais adotadas na imensa maioria dos países desenvolvidos. Essa consolidação das normas contábeis acontece a partir das IFRS (International Financial Reporting Standards).
O principal argumento a favor da implantação dessa nova maneira de fazer a contabilidade é o de permitir uma padronização de todas as demonstrações financeiras ao redor do mundo. Com um único padrão de normas, será possível comparar as demonstrações das empresas de um mesmo setor, não importa se elas estão na China, na Rússia, na Alemanha, no Canadá, no Chile ou no Brasil.
Também permitirá a avaliação, por parte dos analistas e dos investidores, de diversos setores econômicos. Será uma evolução e tanto. Tentem imaginar o quanto é complicado comparar o grau de eficiência e de rentabilidade de uma empresa do ramo de varejo com outra, do ramo hospitalar. E, agora, dessas duas com uma indústria metalúrgica. As novas normas de contabilidade vão facilitar o trabalho.
É possível encontrar no mercado alguns profissionais e algumas empresas que parecem não dar a real importância aos pronunciamentos contábeis emanados do CPC. O argumento mais ouvido é de que essas normas somente se aplicam às sociedades anônimas e às grandes empresas, com ativos de R$ 240 milhões ou faturamento de R$ 300 milhões. Trata-se de um argumento inadequado.
É fato que a Lei 11.638/07, também chamada de Nova Lei das SAs, obrigou somente as grandes empresas a observar as regras de convergência aos padrões internacionais de contabilidade. Também é fato que o Comitê de Pronunciamentos Contábeis não tem poder de exigir o cumprimento de normas por ele divulgadas.
Acontece que, até por não ter força normativa, o CPC necessita que os diversos órgã ;os reguladores dos diversos setores econômicos – tão díspares como o mercado financeiro, por meio do Banco Central, o mercado de ações, via Comissão de Valores Mobiliários, o mercado de seguros, pela Superintendência de Seguros Privados, o mercado de telefonia, por meio da Agência Nacional de Telecomunicações, entre outros – aprovem e adotem seus pronunciamentos.
É justamente aqui que nasce a obrigatoriedade de todas as empresas observarem as normas do CPC. O Conselho Federal de Contabilidade, órgão federal que regulamenta a profissão de contabilista, também tem adotado como Norma Brasileira de Contabilidade (NBC) os pronunciamentos contábeis publicados pelo CPC.
Isso exige que todos os profissionais da profissão contábil observem essas regras, sob pena de ter seu registro suspenso ou cancelado. Em resumo, pode até ser que as médias e pequenas empresas não estejam obrigadas, por lei, a cumprir as regras do CPC. No entanto, é inegável que seus contabilistas, no exercício da profissão, estão, sim, obrigados a cumpri-las – o que nos coloca diante, não de um problema, mas de uma oportunidade.
A evolução é inevitável e é para todos. Temos que nos acostumar e, mais do que isso, nos adaptar à nova realidade. Saem-se melhor aqueles que conseguem superar os desafios e tirar proveito das oportunidades. As pequenas e médias empresas brasileiras que adotarem o quanto antes as normas do CPC certamente estarão um passo à frente dos seus concorrentes.
Essa é uma prática de governança corporativa – mais uma novidade no cenário empresarial brasileiro. As pequenas e médias empresas que saírem na frente vão ter melhor avaliação do mercado de crédito e vão atrair mais investidores, ávidos por aplicar seu capital em empresas promissoras e bem administradas. Um novo mundo, uma nova contabilidade. Enio De Biasi é sócio-diretor da De Biasi Auditores Independentes.

Fonte: http://www.administradores.com.br/noticias/um_novo_mundo_uma_nova_contabilidade/25539/
Acesso em 02/09/2009.

Contabilidade entra na era digital

Notícias

Sistema público de escrituração digital deve modernizar serviços contábeis no Brasil e evitar sonegação fiscal
Fátima Almeida
As mudanças no sistema de informação fiscal e contábil, que estão sendo implantadas com o Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), estão deixando empresários e escritórios de contabilidade apreensivos. No meio empresarial, a expectativa em relação ao novo vem junto com a maior exposição fiscal que a escrituração digital impõe às empresas, diante dos órgãos de fiscalização fazendária.No meio contábil, a apreensão é devido à responsabilidade do conhecimento que o novo sistema requer, e que acaba caindo nos escritórios de contabilidade, sobretudo num Estado como Alagoas, onde mais de 80% das empresas são de micro e pequeno porte, moldadas a uma administração de natureza familiar.
Empresas alagoanas cobram parceria do Estado
Na opinião do contabilista Cícero Torquato, o empresário deve estar consciente de que o Sped veio para tornar sua empresa, de certa forma, “nua” perante o fisco. E isso vai exigir deles muita organização contábil. Para os contabilistas, avalia ele, o grande desafio é a atualização, não apenas em relação à contabilidade e tributação, mas também em relação às ferramentas da tecnologia da informação. “A era do guarda-livros passou”, resume ele.Essa é a melhor parte, na avaliação do vice-presidente de fiscalização do CRC. No entanto, Luiz Guimarães exprime a mesma preocupação do presidente da Fecomércio, Wilton Malta, de que o novo sistema acabe sobrecarregando os contabilistas, devido à falta de informação e de estrutura do empresariado alagoano.
Usinas começaram a usar sistema em janeiro deste ano
O grande investimento que deve ser feito pelas empresas, na avaliação do contabilista Cícero Torquato, é em capacitação, e isso, segundo ele, foi uma das primeiras providências adotadas em sua empresa para lidar com o novo sistema de escrituração. É o que orienta, também, a Secretaria da Fazenda.“Temos participado de algumas palestras para entidades, respondido aos pedidos de orientação por e-mail, esclarecido muitas dúvidas, mas o empresário tem que ter noção para lidar com esse novo sistema”, diz o assessor da diretoria de planejamento e fiscalização da Sefaz, Kleberson do Rego Lima.O Conselho Regional de Contabilidade reconhece que o segredo está mesmo na capacitação e garante que isso vem sendo oferecido tanto pela entidade quanto pelos sindicatos, por meio de palestras e reuniões.
Sped abrange vários programas fiscais
O conceito do Sped é único. “É o Sistema Público de Escrituração Digital instituído pelo Decreto nº 6.022/2007, com finalidade de unificar as atividades de recepção, autenticação, validação e armazenamento de documentos e livros fiscais e contábeis, por meio eletrônico”, explica Antônio Carlos Alberto.O fiscal de tributos da Sefaz Kleberson Lima o define como um “guarda-chuva” que abrange vários projetos, entre eles a Nota Fiscal Eletrônica, a Escrituração Fiscal Digital (EFD) e a Escrituração Contábil Digital (ECD), com objetivo de promover a integração entre as administrações tributárias federal e estaduais, e padronizar o fornecimento de informações.

Fonte: Gazeta de Alagoas

Pré-sal será intengível no balanço da Petrobras

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Por Danilo Fariello, de Brasília
O efeito positivo do aumento de capital que a União deverá fazer na Petrobras pode ter efeito limitado na meta de elevar a capacidade financeira da empresa. Para o diretor da agência de classificação de risco de crédito Fitch Ratings, Jose Luis Villanueva, a cessão de direitos será considerada bem intangível no balanço da companhia e, portanto, não aumentará a sua capacidade de alavancagem.
O executivo mexicano, que fica em Nova York, não considera necessário que a capitalização da Petrobras no curto prazo, ao menos que se alterasse o plano de investimentos de US$ 174 bilhões até 2013. Mas, para ele, com a perspectiva de capitalização, surgiram mais pressões negativas do que positivas para a análise de crédito da empresa, hoje em BBB. "A contribuição do governo à Petrobras é certamente um ativo para o balanço, mas é de muito difícil avaliação financeira", comenta. Para ele, portanto, no modelo proposto ao Congresso, esses ativos não entrarão na conta de capacidade de endividamento da empresa.
O governo deverá injetar na companhia títulos da dívida pública federal a valor de mercado. No entanto, o complexo plano prevê que, concomitantemente a esse depósito, a Petrobras use esses ativos para adquirir direitos sobre a exploração de reservas no pré-sal. Do ponto de vista do governo, essa operação casada seria neutra para a dívida pública, porque ao mesmo tempo que emitisse títulos para injetar na companhia, receberia os mesmos recursos pela cessão de direitos de exploração. Mas, para acionistas minoritários, que terão de investir dinheiro próprio para manter sua parte na capitalização, e empresas concorrentes na exploração do pré-sal, o preço a que essas reservas deverão ser cedidas da União à estatal ainda deverá ser alvo de muita discussão.
A precificação dos recursos potenciais na reserva do pré-sal será dada por certificadoras reconhecidas pelo mercado. Tanto a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), como a própria Petrobras deverão contratar empresas para fazer a avaliação. Também acionistas minoritários poderão fazê-lo, para se certificar ou discordar do acordo entre União e empresa. No entanto, como a capitalização deverá ocorrer em até um ano após a aprovação do projeto de lei, haveria ainda muito tempo e muita incerteza para a precificação. A perspectiva de revisão desses preços em 24 meses, com acerto da diferença entre União e Petrobras - com qualquer uma das partes pagando à contraparte sobre aumento ou queda dos preços - pode trazer uma variação ainda maior ao balanço da companhia.
Segundo um gestor de fundo de pensão, essa variação poderá trazer impacto contábil de mesma monta da variação cambial em empresas com alto endividamento. Por exemplo, podendo criar um lucro ou prejuízo contábil à empresa conforme elas for atualizada. Como demora tempos para empresa e órgãos reguladores se certificarem do verdadeiro potencial das reservas, quanto mais cedo a capitalização for proposta nesses meios, menor tenderá a ser o aumento de capital. Para tanto, comenta um analista, basta ver que em quase dois anos após a descoberta do primeiro campo na nova camada, em Tupi, informações específicas sobre seu potencial ainda são escassas.
Segundo apresentação do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, na precificação das reservas serão considerados: as estimativas do volume de óleo nos campos, a curva de produção, os investimentos necessários, os custos, a taxa de desconto pelo risco, o ambiente fiscal (o que inclui alteração nas participações governamentais, o grau de conhecimento ou desenvolvimento das reservas e o cenário para o preço futuro do petróleo). Auro Rozembaum, analista que acompanha a Petrobras na Bradesco Corretora, tem insegurança com relação à eficiência do modelo. "O prazo de 24 meses para reavaliação também é um horizonte muito curto para qualquer tipo de reavaliação, porque a comercialização do petróleo do pré-sal não deve decolar antes de 2015." Além disso, trata-se de volume muito grande de reservas a precificar. Para termos de comparação, 5 bilhões de barris corresponde a 6,7 anos da produção prevista para a empresa em 2009.
Teme-se que, quanto mais cedo ocorrer a capitalização e, por consequência, maiores forem as incertezas, menor seria o preço atribuído aos recursos potenciais do pré-sal. Negociações envolvendo direitos de exploração de reservas são comuns em empresas internacionais, segundo a Petrobras, e oscilaram entre US$ 1,83 e US$ 15,95 por barril estimado no ano passado. Se a capitalização por parte do governo equivaler a 5 bilhões de barris - limite máximo - a preço de US$ 10, isso significará mais de US$ 50 bilhões no balanço.
A despeito da precificação das reservas, o impacto positivo do modelo de capitalização, para Villanueva, da Fitch, seria se investidores minoritários participassem do aumento de capital com dinheiro. Se o governo colocar US$ 50 bilhões em títulos e todos os minoritários acompanharem a União, isso poderia significar algo próximo de US$ 100 bilhões a mais no caixa da Petrobras, já que a União possui 32,2% do capital social da empresa. Esse dinheiro poderia beneficiar a situação financeira de forma objetiva e imediata. "Melhoraria o nível de caixa da empresa para fazer frente ao seu plano de investimentos e reduziria a necessidade de endividamento."
Na visão da Fitch, o processo de capitalização da forma como está moldado eleva ainda o risco político da empresa, porque pode representar um retrocesso em relação ao efeito positivo sobre o crédito das medidas orientadas ao mercado implantadas nos últimos anos, assim como às melhoras na governança.
Fonte: Valor Online

Presidente do CFC participa do I Seminário de Auditoria Independente

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Nesta terça-feira (01.09), mais de 200 pessoas, entre auditores e contabilistas, participaram do I Seminário Brasileiro de Auditoria Independente, no qual ocorreu o lançamento da convergência de normas de auditoria, aplicáveis ao Brasil às normas internacionais, emitidas pela Federação Internacional de Contadores - IFAC. O evento foi realizado pelo Conselho Federal de Contabilidade - CFC e pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil - Ibracon.
O encontro contou com a presença entusiástica da presidente do CFC, Maria Clara Cavalcante Bugarim, que enfatizou o momento como a concretização de um sonho e um marco histórico para a Classe Contábil brasileira. "Acredito que a pujança da classe contábil se deve, principalmente, a grande convergência interna. Quando falamos em normas internacionais de Contabilidade enfatizamos que ninguém consegue convergência aos padrões internacionais sem fazer o 'dever de casa'. Esse modelo, apresentado com muito orgulho em diversos países, demonstra que estamos no caminho certo, graças ao trabalho integrado entre diversas entidades e profissionais", destacou.
Maria Clara enalteceu, ainda, a grande parceria entre o CFC e o Ibracon, presididos por mulheres, que estão continuando o trabalho já iniciado por diretorias passadas. Destacou também como fundamentais a criação, em 2005, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis - CPC e, em 2007, do Comitê Gestor da Convergência, que deram maior força ao projeto. Por fim, a presidente do CFC comunicou que em novembro o CFC editará, em bloco, todas as normas brasileiras convergidas aplicadas à auditoria, revisão, asseguração e assuntos correlatos, cuja vigência está prevista para janeiro de 2010.
Ana Maria Elorrieta, presidente do Ibracon, destacou como fundamental o trabalho de convergência das normas brasileiras de auditoria, pois se enquadra num dos grandes objetivos do Instituto, que é garantir a relevância e a excelência dos auditores independentes do Brasil. "Tudo que tenha a ver com qualidade e com a melhora de nossas práticas é importante", observou. A presidente do Ibracon enfatizou que o trabalho desenvolvido no processo de convergência já é uma realidade ao citar que a IOSCO - International Organization of Securities Commissions, entidade que internacionalmente congrega a Comissão de Valores Mobiliários - CVM no mundo, recomendou o uso das normas internacionais de auditoria no mercado de capitais.
Durante o I Seminário Brasileiro de Auditoria Independente, que teve início às 9h e encerramento às 18h, foram promovidos painéis que discutiram os benefícios da convergência para as normas internacionais de auditoria, uma visão geral e as principais mudanças introduzidas nas normas de auditoria aplicáveis no Brasil, o impacto para as empresas de auditorias de pequeno e médio porte e os próximos passos, incluindo treinamento.
Fonte: CFC - (www.cfc.org.br)
De Léon Comunicação

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Regulador americano quer mais detalhes sobre valor justo

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As companhias abertas que publicam seus balanços pelo padrão americano, conhecido como US Gaap, terão que aumentar as informações que divulgam sobre os métodos que usam para atribuir o valor justo dos ativos.
Após flexibilizar recentemente as regras de cálculo do valor justo, o Fasb (Financial Accounting Standards Board), órgão americano responsável pela emissão das normas contábeis, colocou ontem em audiência pública uma revisão das normas sobre a transparência desses dados. Os comentários dos interessados devem ser feitos até o dia 12 de outubro deste ano.
Segundo o órgão, os usuários dos balanços pediram mais informações sobre os critérios usados pelas companhias para avaliar os ativos menos líquidos. Pela regra atual, existem três níveis de classificação, conforme a facilidade para se determinar o preço dos ativos. Os mais líquidos são marcados a mercado, enquanto para os demais as empresas podem usar uma combinação de modelos de precificação e dados de mercado.
O que a minuta divulgada ontem pelo Fasb propõe é justamente aumentar a transparência sobre os critérios usados pelas empresas para determinar o valor justo dos ativos menos líquidos.
Um dos dispositivos diz que a companhia deve apresentar o que ocorreria com o seu balanço caso escolhesse outras premissas para determinar o valor justo do ativo. A minuta sugere que seja obrigatória a divulgação do critério usado para definição do valor justo por classes de ativos.
Fonte: Valor Online

Os maiores rombos nos balanços das seguradoras ainda estão por vir

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Jonathan Weil, Bloomberg, de Nova York
Quantas pernas um bezerro teria se chamássemos seu rabo de perna? Quatro, é claro. Chamar um rabo de perna não faz dele uma perna, como disse Abraham Lincoln em uma frase que ficou famosa.
Do mesmo modo, chamar uma despesa de ativo não faz dela um ativo. Isso nos leva às estranhas normas contábeis para o setor de seguros, que inclui a Lincoln National, que usa Honest Abe (como é conhecido Abraham Lincoln) como mascote empresarial.
Dê uma olhada no lado dos ativos do balanço da Lincoln National e você verá um item de US$ 10,5 bilhões chamado "custos de aquisição diferidos", sem os quais o patrimônio dos acionistas de US$ 9,1 bilhões desapareceria. O número também é maior que o valor de mercado da companhia, atualmente em US$ 7 bilhões.
Esses custos são apenas isso - custos. Eles incluem comissões de vendas e outras despesas relacionadas à aquisição e renovação de apólices de seguros de clientes. Na maioria das companhias, esses custos precisam ser registrados como despesas quando são contabilizados, afetando imediatamente os lucros.
Mas como ela é uma companhia de seguros vendendo apólices que podem durar muito tempo, a Lincoln pode lançá-las em sua contabilidade como um ativo e ir dando baixa contábil lentamente - por períodos de até 30 anos em alguns casos -, sob um conjunto de regras contábeis implementado há décadas e feitas exclusivamente para o setor de seguros.
Mas esses dias podem estar contados, sob uma decisão unânime tomada em maio pelo Fasb, o conselho de contabilidade financeira (Financial Accounting Standards Board) dos Estados Unidos, que vem recebendo pouca atenção da imprensa americana. O Fasb deverá anunciar no quarto trimestre uma proposta de reorganização de suas regras para os contratos de seguros. Se tudo correr de acordo com o plano, as seguradoras não poderão mais adiar custos de aquisição de apólices e tratá-los como ativos.
Um problema que o Fasb ainda não resolveu é o que fazer com os custos de aquisição diferidos que já estão na contabilidade das companhias. Embora ainda não haja nenhuma decisão a esse respeito, é razoável supor que as seguradoras provavelmente terão de dar baixa neles, reduzindo o patrimônio dos acionistas. O Fasb já decidiu que esses custos não são um ativo e devem ser lançados como despesas. Se isso for mantido, não faria sentido deixar as companhias manter seus custos diferidos existentes intactos.
O impacto dessa mudança seria enorme.
Alguns exemplos: Até 30 de junho, a Hartford Financial Services Group mostrava um custo de aquisição diferido de US$ 11,8 bilhões, que representavam 88% do patrimônio de seus acionistas, ou ativos menos obrigações. Em comparação, o valor de mercado da companhia é de apenas US$ 7,3 bilhões.
A MetLife mostrava um custo de aquisição diferido de US$ 20,3 bilhões, equivalente a 74% de seu patrimônio líquido. O custo diferido da Prudential Financial era de US$ 14,5 bilhões, ou 78% do patrimônio. A Aflac dizia que seu custo era de US$ 8,1 bilhões em 30 de junho, bem mais que seu patrimônio de US$ 6,4 bilhões. A Genworth Financial listava seu custo diferido em US$ 7,6 bilhões, ou 76% dos ativos líquidos. Isso era mais que o dobro do valor de mercado da companhia, de US$ 3,4 bilhões.
As regras sobre os custos de vendas das companhias de seguros são um resquício dos dias em que o chamado princípio do confronto das despesas com as receitas era aceito de uma maneira mais ampla entre os contadores e investidores.
Nas seguradoras de vida, por exemplo, é comum o pagamento adiantado de comissões equivalentes a um ano de prêmios de apólices. Ao expandir o reconhecimento das despesas sobre o tempo de vida das apólices, a ideia é que as companhias deverão comparar suas receitas e as despesas que foram necessárias para gerar essas receitas no mesmo período de tempo. O problema com essa abordagem é que os custos de aquisição diferidos não atendem o padrão de definição de ativo do Fasb. Isso porque as companhias não os controlam uma vez que eles são pagos. O dinheiro já está fora. Não há garantias de que os clientes continuarão renovando suas apólices.
Até mesmo as autoridades reguladoras estaduais, normalmente amigáveis, não reconhecem os custos de aquisição diferidos como um ativo para propósito de avaliação do capital, sob os princípios contábeis estatutários adotados pela National Association of Insurance Commissioners.
Certamente, as decisões tomadas pelo Fasb até agora são preliminares. Uma das muitas questões que o conselho está analisando como parte de seu projeto mais amplo para os seguros é como tratar os custos de aquisição. Outras incluem o problema de como medir os riscos das seguradoras nas obrigações com os detentores de apólices.
Enquanto isso, o Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade (International Accounting Standards Board - Iasb), com sede em Londres, está trabalhando em seu próprio projeto para os seguros e já disse que vai adotar uma postura mais complacente em relação aos custos de aquisição de apólices.
As seguradoras terão de lançá-los como despesas imediatamente. No entanto, o Iasb disse que deixará as companhias registrarem antecipadamente uma receita de prêmio suficiente para compensar os custos. Dessa maneira, elas não terão que reconhecer quaisquer perdas no começo.
Até agora, o Fasb vem rejeitando o método do Iasb.
O curinga desse baralho é o Congresso americano. No segundo trimestre, o setor de seguros uniu-se aos bancos e às cooperativas de crédito para fazer membros do Congresso pressionarem o Fasb a mudar suas regras sobre os títulos de dívida, incluindo aqueles garantidos por hipotecas subprime tóxicas, de modo que as companhias possam manter grandes perdas contáveis fora de seus lucros. Como o Fasb já cedeu antes, é seguro apostar que o setor vai seguir esse caminho mais uma vez.
Com tanta coisa em jogo, não devemos esperar nada menos do que isso. O que está em jogo não é o valor real dos ativos do setor, e sim a percepção dos investidores sobre o valor deles. Honest Abe não seria enganado.
(Jonathan Weil é colunista da Bloomberg . O texto reflete apenas as suas opiniões)
Fonte: Valor Online

Basileia lança novo padrão contábil para bancos

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A pedido do G-20 (grupo das 20 maiores economias), a autoridade mundial que supervisiona bancos estabelece um novo padrão de contabilidade para evitar que crises financeiras como a que completará um ano em setembro voltem a ocorrer. O anúncio das novas regras ocorre a poucas semanas da terceira reunião de cúpula do G-20, nos EUA.
O Comitê da Basileia para a Supervisão de Bancos, formada por BCs e reguladores das 20 principais economias, entre elas o Brasil, anunciou ontem novos princípios para garantir um sistema financeiro mais sólido e evitar que, no futuro, bancos sofram uma perda de capital que acabaria ampliando a crise.
"Ao desenvolver os princípios, o Comitê da Basileia examinou as lições aprendidas com a crise", afirmou Nout Wellink, presidente do órgão. Segundo ele, uma das lições foi a necessidade por maior transparência e regras que estabeleçam uma contabilidade nos bancos que reflita a verdadeira situação das entidades.
Muitas, até hoje, sequer sabem quanto perderam na crise e quantas ações podres estavam em suas mãos. Já os governos da Europa e América do Norte destinaram mais de US$ 2,5 trilhões para garantir liquidez aos mercados e salvar bancos.
Os novos padrões vão garantir que as perdas dos bancos em empréstimos sejam reconhecidos nas contabilidades dos bancos de forma quase imediata ao prejuízo sofrido, o que daria mais transparência ao sistema. A medida ainda permitirá que o banco envolvido e mesmo as autoridades monetárias possam tomar as medidas "robustas e necessárias" para lidar com as perdas.

Fonte:
Portal IG Notícias