Palavras do Mestre dos Mestres

Palavras de despedida do Professor Antonio Lopes de Sá no X Prolatino, realizado em novembro de 2009.

“Eu não sei quanto tempo de vida me resta. Quem me criou também determinará, naturalmente, a hora em que serei convocado para outras missões. Posso ver, nesse poente da vida, muitas coisas. Eu dediquei feriados, dias santos, horas que roubei da família para dedicar a vocês. A minha última palavra é: “Enquanto um sopro de vida me restar, ele será de vocês”. Não sou candidato a nada. Não é discurso político, mas quero estar no coração de vocês”.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Concessões no IFRS

Notícias

Valor Econômico

Operadoras de ferrovias e geradoras de energia elétrica conseguem escapar de mudança significativa nos balanços. Distribuidoras e transmissoras não.


Fernando Torres, de São Paulo 


Nem todas as concessionárias públicas terão que adotar uma polêmica norma contábil que tem potencial de mudar de forma relevante o balanço das empresas do setor. Enquanto operadoras de rodovias e distribuidoras e transmissoras de energia terão que aplicar a nova regra, as companhias que operam ferrovias e a maior parte das geradoras de energia elétrica conseguiram escapar da mudança, inserida no âmbito do processo de convergência com o padrão internacional de contabilidade, chamado de IFRS.

 

Já havia essa expectativa entre companhias desses setores, mas a confirmação formal, por meio da edição de uma deliberação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no dia 29 de dezembro, aprovando a Orientação nº5 emitida pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), foi bastante comemorada por aquelas que ficaram de fora. "Foi um presente de Natal", brinca Dinelma Amaral, gerente de controladoria da MRS Logística, empresa que opera 1.643 km de malha ferroviária no Sudeste.

 

Elvira Cavalcanti, diretor financeira da mesma empresa, explica que o setor já tinha o entendimento de que a nova norma não valeria para o ramo das ferrovias, mas queria evitar possíveis dificuldades com os auditores. "Com o órgão regulador dizendo claramente que não se aplica, acaba esse potencial problema de ter que discutir", diz.

 

O gerente de normas contábeis da CVM, José Carlos Bezerra, explica que a ICPC01, polêmica interpretação que trata dos contratos de concessão, só deve ser adotada se forem atendidas duas condições, cumulativamente.

 

Uma delas é que o poder concedente - os governos - controle, de alguma forma, uma participação residual significante da infraestrutura no final do prazo de concessão. A segunda é que o concedente controle quais os serviços prestados, para quem e também o seu preço.

 

Diante das dúvidas que havia sobre a aplicação ou não da norma em alguns ramos de concessão, a CVM constituiu um grupo de trabalho envolvendo as empresas, por meio da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), e os auditores, representados pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon).

 

Após discussões de quase um ano, o resultado desse trabalho foi apresentado ao CPC, que emitiu a Orientação nº 5, agora tornada oficial e obrigatória pela CVM, esclarecendo essas dúvidas.

 

Embora o grupo de trabalho fosse aberto para todos os setores, a orientação trata apenas das concessionárias de rodovias e ferrovias e das empresas de energia - incluindo distribuição, transmissão e geração -, que foram aquelas que procuraram o órgão regulador para debater.

 

Mas no próprio texto o CPC diz que outros setores regulados, como água e saneamento, telecomunicações, distribuição de gás, portos, aeroportos, hospitais, entre outros, devem aplicar as normas por "similaridade ou analogia, no que for cabível". "Cada empresa vai analisar os contratos, direitos e obrigações e tomar sua decisão", diz Bezerra.

 

As ferrovias conseguiram escapar da mudança contábil porque houve o entendimento de que elas não são obrigadas a prestar serviço para qualquer cliente que as procure - ao contrário do que ocorre nas distribuidoras de energia - e que o preço é livremente negociado, embora haja piso e teto.

 

No caso das geradoras de energia, concluiu-se também que, na maioria dos casos, uma parcela relevante da receita tem como base venda de energia no mercado livre, sem limite de preço.

 

Em relação aos setores que não entraram no grupo de trabalho, Elvira Cavalcanti, da MRS, acredita que das duas, uma: ou as empresas devem estar tranquilas sobre a aplicação ou não da norma; ou não atentaram para a relevância do tema e perderam o timing.

 

Entre as companhias concessionárias que se anteciparam e já adotaram o IFRS nos balanços intermediários do ano passado (a obrigação geral vale apenas para os números fechados de 2010), a distribuidora de gás Comgásadotou a ICPC01, enquanto a companhia de telecomunicações Telespe a operadora de portos Santos Brasilentenderam que a interpretação não se aplica a elas.

 

Segundo o ex-diretor da CVM e especialista em contabilidade Eliseu Martins, a ICPC01 tem duas mudanças principais que preocupam as empresas.

 

Uma delas é que a receita de construção precisa ser reconhecida de forma separada daquela obtida com a prestação de serviços objeto da concessão. Nesse caso, explica ele, uma empresa pode gerar lucro antes que tenha o caixa correspondente para que possa distribuir como dividendo.

 

A segunda mudança relevante trazida pela ICPC01 é que os bens registrados no ativo imobilizado que terão que ser revertidos no fim do período de concessão ao poder concedente, incluindo as benfeitorias e melhorias feitas depois da assinatura do contrato, devem sair do ativo imobilizado e ser alocados como ativo intangível ou financeiro.

 

Quando a concessionária for remunerada pelos usuários do serviço - que pode ou não ser usado ou pago - o registro será feito no intangível e amortizado ao longo do prazo do contrato. Se quem paga é o poder concedente, em caixa, a contabilização é de um ativo financeiro.

 

Se a remuneração for paga pelo usuário, mas houver também previsão de indenização dos bens ainda não amortizados ao fim do contrato, haverá uma bifurcação. No momento inicial o que estiver registrado como imobilizado vira intangível e a parcela desse total que for estimada para a indenização vira ativo financeiro.

 

O problema disso tudo, no entanto, segundo Eliseu Martins, é que boa parte dos contratos de concessão no Brasil não é clara sobre o valor da indenização. "As divulgação feita hoje não representa a realidade. E a nova norma obriga que elas deem transparência para essa indefinição. Será confuso, mas a realidade é confusa", explica o especialista.

 

Sobre a amortização do ativo pela vida útil do bem ou pelo prazo do contrato, a CVM afirma que cada empresa é que vai decidir o que fazer, a depender da perspectiva de renovação da concessão.

 
Concluída agenda de normas para balanços de 2010 


Com a edição da orientação sobre os contratos de concessão na semana passada, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) encerraram toda a regulamentação necessária para que as companhias abertas adotem, a partir do balanço do exercício de 2010, o novo arcabouço de normas contábeis brasileiras, que tem como referência o padrão internacional, conhecido como IFRS.

 

O processo de convergência começou no apagar das luzes de 2007, com a publicação da Lei 11.638 no dia 28 de dezembro daquele ano. Nos três anos que passaram, foram emitidos 44 pronunciamentos contábeis, 16 interpretações e 5 orientações para que o Brasil ficasse no mesmo pé que o Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade (Iasb, na sigla em inglês), em termos de regulamentação.

 

Apesar de não ter restado nenhum pronunciamento obrigatório do Iasb para ser traduzido, nem nenhuma orientação a ser dada, o trabalho ainda não acabou. "Esse é um processo que não estará concluído nunca", afirma José Carlos Bezerra, gerente de normas contábeis da CVM.

 

Daqui para frente, destaca ele, a tarefa será participar ativamente do processo de discussão das normas que estão em revisão pelo próprio Iasb - e que não são poucas. "Seremos ativos nesse sentido", diz Bezerra, dizendo que o foro de discussão dessas normas no país deve ser o CPC.

 

Além da revisão dos pronunciamentos já emitidos, o gerente de normas contábeis da CVM diz que também espera um aprendizado com a aplicação inicial das normas no estágio atual, que passa a ser obrigatória para as companhias abertas a partir dos balanços referentes a 2010.

 

Chamado às pressas no início de 2008 para a diretoria da CVM, a fim de ajudar no processo de convergência contábil, o professor de contabilidade Eliseu Martins destaca o curto espaço de tempo em que foi feito todo o processo. "A gente imaginava que ia ser difícil e foi mesmo", diz Eliseu, ressaltando que houve consenso de que não adiantaria dar mais prazo para as empresas. "Se tivesse mais tempo, íamos ter essa dificuldade do mesmo jeito. Porque quando há essas grandes mudanças todo mundo deixa na prateleira, para perto do vencimento", afirma.

 

Ele destaca ainda que não se deve esperar que tudo saia perfeito já na primeira rodada de balanços, mencionando que há estudos indicando que, na Europa, onde o IFRS passou a valer em 2005, apenas em 2009 caíram de forma relevante os casos de republicação dos demonstrativos.

 

"É visível que teremos problema? Sim. As normas são perfeitas? Não. Só que o saldo que fica me parece extremamente positivo. O que temos de melhoria é enorme", resume Eliseu. (FT)

 

Fonte: CFC

 

Persistência é a palavra chave para vencer, diz Gabriel O Pensador

Notícias

Em conversa com a Agência Sebrae de Notícias/MG, o cantor e compositor fala sobre sua carreira, o mercado cultural no País e novas tecnologias para divulgação da arte

Simone Guedes

Belo Horizonte - Um dos mais populares e criativos artistas do pop nacional, o cantor e compositor Gabriel O Pensador fala numa entrevista exclusiva para a Agência Sebrae de Notícias de Minas Gerais sobre carreira, dificuldades do mercado cultural e das vantagens das mídias sociais para o setor. Ele aproveita a conversa para dar dicas a quem está começando a carreira.

Agência Sebrae de Notícias-MG – Como teve início sua carreira?

Gabriel O Pensador – Comecei a cantar de forma independente, tentando um espaço para mostrar minhas letras no palco, na festa, na faculdade. Acabei lançando uma música numa rádio do Rio de Janeiro em protesto à corrupção. Não tinha gravadora nem empresário, mas consegui fazer um barulho. A música foi censurada e tive que procurar a imprensa para divulgar meu trabalho. Consegui. A música ficou em primeiro lugar em várias rádios e depois de alguns meses consegui uma gravadora, que lançou meu primeiro disco.

ASN-MG - Você disse em uma entrevista que gostaria de ser jornalista. Hoje, no Brasil, o artista consegue sobreviver com o que faz?

GOP - Depende. Qualquer profissão tem altos e baixos. Há profissionais que conseguem mais retorno financeiro do que outros. Na música também é assim. Mas dá para sobreviver trabalhando bastante. Tenho vários amigos que são músicos independentes e que não têm uma história de sucesso, mas conseguem ir levando, fazendo o que gostam.

ASN-MG - Qual é o cenário do mercado cultural do Brasil?

GOP - É de muita criatividade, concorrência, variedade de estilos e demandas do público. É um mercado fértil, só que na hora de transformar a música num produto para distribuição ainda é muito difícil. É complicado encontrar uma gravadora e empresas para bancar o seu trabalho devido à concorrência e à crise que há alguns anos vem afetando a indústria fonográfica. Porém, existem caminhos alternativos como internet e shows, que podem ser feitos mesmo não havendo uma gravadora por trás.

ASN-MG - Com a globalização e a evolução das mídias sociais quais são as vantagens e desvantagens para o setor?

GOP - A desvantagem é a questão autoral e os direitos que se perdem no download. A vantagem é a liberdade de divulgar o trabalho e a facilidade tecnológica para se gravar um disco ou até fazer um clip. Se a pessoa tem um trabalho bom, é criativa e faz bem feito, tem chances de aparecer com pouco investimento.

ASN-MG - Quais as dicas para quem está entra neste mercado?

GOP - Persistência é a palavra-chave para quem quer vencer. Quando a gente é muito jovem e faz as primeiras músicas, acha que está tudo muito bom. O artista precisa ter muito cuidado com isso porque a autocrítica é importante. Acho que temos de ser perfeccionistas e tentar melhorar sempre.

Serviço:
Assessoria de Imprensa do Sebrae-MG
(31) 3379-9275 / 9276

Fonte: Agência Sebrae

 

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Projeto consolida legislação sobre atividade comercial

Notícias

Agência Câmara

 

Em análise na Câmara, o Projeto de Lei 7751/10, do Senado, consolida a legislação federal sobre registro de atos de empresários e de sociedade empresária. A ideia, explica seu autor, senador Adelmir Santana (DEM-DF), é facilitar a consulta, pelos cidadãos e pelos profissionais da área, das regras que tratam da abertura e fechamento de empresas.

 

A principal norma sobre a abertura e fechamento de empresas é a Lei 8.934/94, que trata do Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. Foi editada antes da aprovação do Código Civil de 2002, que adotou a teoria da empresa em substituição à teoria dos atos do comércio.

 

De acordo com a teoria da empresa, estão abrangidas pelo tratamento específico dado aos comerciantes todas as atividades empresariais, o que compreende as empresas prestadoras de serviços e as dedicadas às atividades industriais, além das empresas agrárias, desde que optem pela sua inscrição no registro de empresas.

Recuperação e falência

O projeto propõe a atualização dos termos utilizados na lei e na denominação dos órgãos envolvidos no procedimento de abertura e fechamento de empresas. O Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins passa a ser chamado de Registro Público de Empresas, já utilizada pela lei especial que trata da recuperação e falência de empresas (Lei 11.101/05).

 

O Departamento Nacional de Registro do Comércio, órgão integrante da estrutura do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), responsável pela coordenação nacional dos órgãos executores do registro de empresas, passa a se chamar Departamento Nacional de Registro de Empresas. As juntas comerciais, órgãos estaduais diretamente responsáveis por dinamizar os serviços junto aos empresários, passam a ser chamadas de juntas empresariais.

 

A firma mercantil individual e a sociedade mercantil passam a ser chamadas de empresário e sociedade empresária, respectivamente. Os agentes auxiliares do comércio (leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazéns-gerais) passam a ser chamados de agentes auxiliares da empresa.

 

Simplificação
Integra o projeto a Lei 11.598/07, que estabelece diretrizes e procedimentos para a simplificação e integração do processo de registro e a legalização de empresários e de pessoas jurídicas, bem como cria a Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim).

 

O objetivo da Redesim é diminuir o tempo e o custo da abertura e fechamento de empresas no País. Cerca de 280 mil empresas foram abertas no Brasil, de julho a dezembro de 2007, de acordo com dados do MDIC. A média nacional de tempo gasto para abertura de empresas no período foi de 21 dias. O custo para abertura de uma empresa no Brasil é, em média, de R$ 345.

 

A Redesim será administrada por um Comitê Gestor presidido pelo ministro de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A finalidade é propor ações e normas aos seus integrantes. A participação é obrigatória para os órgãos federais e voluntária, por adesão mediante consórcio, para os demais órgãos, autoridades e entidades não federais.

 

Tramitação
A proposta tramita em regime especial e será analisada pelo Grupo de Trabalho de Consolidação das Leis e pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (inclusive no mérito). Depois, será votada pelo Plenário.

 

Fonte: CFC

 

Novidades do IFRS podem afetar primazia do investidor

Notícias

Adam Jones, do Financial Times, de Londres

Contabilidade: Preocupação com estabilidade financeira pode levar reguladores a limitar transparência na divulgação de informações pelas empresas.

A quem a contabilidade das empresas atende, a investidores apenas ou a um grupo difuso de partes interessadas, formado por autoridades reguladoras, gerentes e funcionários? Essa questão esteve no centro do debate sobre a contabilidade financeira em 2010 e assim continuará em 2011.

A visão internacional predominante continua sendo a de que os investidores são, de longe, os leitores mais importantes das contas das empresas. Foi o que disse Leslie Seidman, nova presidente do Conselho de Padrões de Contabilidade Financeira (Fasb), órgão encarregado das regras nos Estados Unidos, quando sua indicação foi confirmada na semana passada.

Seidman declarou que o papel do Fasb era ajudar a abastecer "os investidores e outros fornecedores de capital com informações úteis para as [tomadas de] decisões".

Os defensores da primazia das necessidades dos investidores tiveram várias vitórias a comemorar neste ano. Uma grande mudança na contabilidade das operações de arrendamento deverá transferir montanhas de passivos para os balanços patrimoniais, proporcionando um quadro mais claro das dívidas das empresas.

Além disso, mudanças propostas nas normas internacionais de contabilidade IFRS, usadas na União Europeia e em outros países, inclusive no Brasil, impedirão que as companhias contabilizem lucros artificiais com esquemas previdenciários. Também foram tomadas medidas enérgicas contra o uso de formas de camuflagem para mascarar captações de recursos.

Apesar disso, persistem as preocupações de que as necessidades de longo prazo dos investidores são ameaçadas pela pressa em reescrever fragmentos das regras contábeis para cumprir prazos artificiais, fixados por políticos e autoridades reguladoras na esteira da crise financeira mundial.

Os EUA, por exemplo, ainda pretendem decidir neste ano se deixarão de seguir seus princípios contábeis, conhecidos pela sigla USGaap, em favor dos IFRS, mesmo com trabalhos preparatórios para tornar os dois padrões mais similares tendo revelado divergências fundamentais quanto ao uso da contabilidade de valor justo.
 
A adoção dos IFRS tornará as empresas dos EUA mais atraentes para investidores de fora do país, mas a decisão depende da complexidade que a transição terá para os administradores das companhias americanas e se isso representará algum custo.

Tendo em vista o número de empresas dos EUA sem interesse em ter acesso a capitais internacionais, é bem possível que a resposta fique meio indefinida.

O debate sobre a contabilidade em 2011 não será apenas sobre a qualidade das informações financeiras divulgadas pelas empresas, mas também sobre a quantidade. As autoridades reguladoras, que começaram a pressionar a profissão de auditoria para valer em 2010, podem muito bem pedir a publicação de material adicional.
 
Mais explicações obrigatórias tornariam os balanços anuais ainda mais longos, trazendo novas sobras às camadas de informações muitas vezes irrelevantes que foram se acumulando ao longo dos anos.

Além disso, as autoridades reguladoras podem, cada vez mais, querer avaliar antes dos investidores o tipo de material que o Fasb chama de "informação útil para as decisões".

É o que vem ocorrendo no Reino Unido, com a retomada de um sistema de conversas entre auditores de bancos e autoridades reguladores, nas quais questões potencialmente graves no setor bancário podem se discutidas sem que os acionistas (que pagam os auditores para que sejam um par extra de olhos) tomem conhecimento.
 
Apesar da maior influência das autoridades reguladoras, até agora os investidores ainda predominam no que se refere aos balanços. Mas poderão deparar-se, no entanto, com uma luta particular pela frente para defender sua supremacia no Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade (Iasb, na sigla em inglês), que determina as IFRS.

Os supervisores responsáveis pelo Iasb estão em período de consultas sobre sua futura estratégia. Entre as questões em discussão está determinar até que ponto as regras contábeis devem ter como foco a estabilidade financeira. O prazo da consulta acaba em 24 de fevereiro. Se isso soar como uma ameaça inaceitável para a transparência esperada pelos mercados de capitais, chegou hora de começar a escrever-lhes.

Fonte: CFC

 

 

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Empresas procuram mais executivos para área contábil

Retrospectiva 2010: um ano marcado por inovações

Notícias

 

A adaptação às normas internacionais, a volta do Exame de Suficiência, a aprovação das Leis Orgânicas e as tecnologias contábeis foram os assuntos mais debatidos no ano

Lara Ely

Com a mudança para as normas internacionais de contabilidade a pleno vapor - a tão conhecida sigla IFRS, que em inglês significa International Financial Reporting Standard - , o ano de 2010 foi um período de adaptação às novas legislações e tecnologias. Nas entidades de classe, universidades, escritórios e grupos de estudo, quase não se falou em outro assunto. Os contadores mantiveram-se ocupados em aprender as novidades do IFRS, e também muito atentos às ferramentas praticamente obrigatórias para a inovação tecnológica.

Na contabilidade pública, o assunto da vez foi a aprovação das novas Leis Orgânicas, fato que restaurou a estrutura da Secretaria da Fazenda no Rio Grande do Sul. Após vários anos de luta das entidades de classe, novos servidores foram chamados para reforçar o contingente que trabalha nas áreas de arrecadação, fiscalização, controle interno e gestão financeira do Estado. Ficam regulamentados os cargos de agente fiscal do Tesouro do Estado para a Receita, auditor de finanças para o Tesouro e auditor do Estado para a Contadoria e Auditoria-Geral. Não foram poucos os contadores que trabalham no governo que também passaram o ano se qualificando para se adaptar às mudanças.

O papel das entidades contábeis nessa transição foi de suporte, qualificação e respaldo para os profissionais. Tanto é que, em 2010, as principais organizações profissionais da contabilidade passaram a se reunir periodicamente no Fórum das Entidades Contábeis, onde puderam intercambiar impressões e reflexões sobre o andamento dessa transição.

Outro assunto que marcou 2010 foi o retorno do Exame Suficiência pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) no segundo semestre do ano. A legislação que determina as novas regras para o setor foi sancionada em junho pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além do exame, a lei obriga que todos os profissionais responsáveis pelo setor de contabilidade em uma empresa tenham concluído o curso superior em Ciências Contábeis. A prova será aplicada pelo conselho duas vezes por ano, uma no primeiro trimestre e outra no último. O primeiro teste do tipo está agendado para março de 2011. A avaliação, que será realizada no mesmo dia em todos os estados, é feita de provas específicas para bacharéis e para técnicos em Contabilidade.

Nova era exige flexibilidade dos contadores

Atualmente, existem no Brasil e no Rio Grande do Sul bons escritórios de contabilidade e bons profissionais da área contábil. O desafio, agora, é se preparar para enfrentar a complexidade da nova era contábil, já que essa nova fase em que os profissionais contábeis entraram é uma era mais rica em detalhes. Segundo especialistas, o período é voltado para a essência das transações comerciais e financeiras, e menos para o formato jurídico e societário.

Tema mais debatido em 2010, a convergência às novas normas internacionais é uma das questões que ainda deve pautar a agenda dos contadores em 2011. O Conselho Regional de Contabilidade (CRC-RS) passou o ano empenhado em mostrar ao empresariado gaúcho que a contabilidade brasileira mudou. Em função dessas alterações, o CRC-RS está investindo pesado em treinamento e qualificação, para preparar os profissionais.

O momento certo de optar pela tecnologia

O que o consumidor ganha com as alianças e parcerias no mundo da informatização? A resposta é competitividade e permanência das marcas no mercado. Essa foi uma tendência que deve ganhar força total no próximo ano. Ferramentas como a nota fiscal eletrônica, o Sped e o ponto eletrônico passaram a integrar a realidade de inúmeras organizações.

Apesar das várias vantagens, o mercado ainda dá sinais de resistência e o receio de abandonar as velhas práticas impede alguns contadores de se renderem às facilidades da tecnologia contábil. Uma das maiores barreiras a ser transposta pelo fisco - a informatização dos sistemas contábeis e fiscais - já é também uma realidade na história das contas públicas.

Agora, as novas ferramentas apresentadas pela Receita Federal aos usuários são processos que se incorporam àquilo que a entidade já vem buscando há muitos anos. No atual grau de avanço, resta o desafio de investir em expansão da capacidade da rede e mobilizar os contribuintes para que acompanhem essa evolução.

Sped muda rotinas das organizações

O Sped faz parte do Projeto de Modernização da Administração Tributária Aduaneiro (Pmata), do governo federal, e é composto por diversos outros subprojetos: NF-e, Sped Contábil (ECD), Sped Fiscal (EFD), CT-e, e-Lalur, NFS-e e Central de Balanços. O modelo pretendido visa à integração das informações nos âmbitos federal, estadual e municipal com foco no princípio da economia, em que se pretende a substituição gradativa das demais obrigações acessórias.

Em 2010, muito se discutiu junto à classe contábil se o modelo de obrigação não será responsável pela deflagração do fim da profissão, uma vez que a sistematização das rotinas industriais e comerciais passaria a fornecer as informações de modo praticamente automático para a base de dados do governo.

No entanto, o atendimento ao Sped pode se tornar uma grande oportunidade de melhoria de gestão, já que as empresas terão que refinar o controle de custos, produção, mercadoria, além de trabalhar com apuração de margem.

NF-e aumenta transparência do sistema

O inovador projeto da Nota Fiscal Eletrônica obriga empresas de mais de 50 atividades econômicas a migrarem definitivamente para a nova versão do documento. Por meio da assinatura digital do remetente, o projeto trouxe transparência no procedimento de emissão e recebimento de documentos fiscais e permitiu, ao mesmo tempo, o acompanhamento em tempo real das operações comerciais pelas secretarias da Fazenda.

Esse ano veio a confirmação de que, em 2011, o Ministério da Fazenda irá implantar a nova versão da NF-e, a NF-e 2.0. A demanda para o próximo ano é documentar todos os eventos que ocorrem durante o ciclo de vida do documento fiscal, sendo desde o registro de saída do produto à confirmação do recebimento da mercadoria, passando por devolução, registro de roubo de carga, carta de correção e outras ocorrências. 

Ponto Eletrônico gera polêmica

A adesão ao novo ponto eletrônico deixou muitos empresários inquietos. Tanto é que o Ministério do Trabalho acabou postergando para janeiro de 2011 o prazo final para sua adoção obrigatória, que seria em agosto de 2010. A adoção do novo aparelho é obrigatória para aqueles que já utilizavam o ponto eletrônico, independentemente do tamanho e da quantidade de trabalhadores que tenha a empresa. A vantagem principal do ponto eletrônico, que muda consideravelmente a vida do contador, é a facilidade na hora do fechamento das horas e lançamentos na folha de pagamento através da importação de dados.

Alterações na Lei Geral animam empreendedores

O ano que passou teve muitas novidades para os empreendedores. Mas a melhor delas parece ter sido a aprovação de alterações na Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que vai mudar os valores de enquadramento. Para a microempresa, o faturamento limite passa de R$ 240 mil para R$ 360 mil por ano; para a empresa de pequeno porte, de R$ 2,4 milhões para R$ 3,6 milhões anuais. Além do aumento dos tetos, congelados desde 2005, estão sendo propostas a inclusão de todas as atividades no Simples Nacional, a extinção da cobrança de ICMS nas fronteiras dos estados e a não aplicação da substituição tributária para os microempresários. Além disso, entre as demandas estão a aplicação de multas diferenciadas para as micro e pequenas empresas, o parcelamento das dívidas para as empresas optantes pelo Simples Nacional e o aumento do limite de faturamento do Empreendedor Individual e criação do Simples Rural, entre outros pontos.

Fonte: Jornal do Comércio.

 

 

 

 

 

 

Prepare-se para a declaração de imposto de renda

Notícias

Roberta Scrivano - O Estado de S.Paulo


A Receita Federal já divulgou as regras para a declaração do imposto de renda de 2011, relativo ao ano de 2010. Uma das inovações, que já havia sido anunciada, é a digitalização da declaração, ou seja, ela não poderá mais ser feita por meio de formulários, mas só pela internet ou por disquete.


Pelo segundo ano consecutivo, a Receita aumentou o limite para isentos do IR. Agora, quem obteve rendimentos tributável de até R$ 22.487,25 durante 2010, está isento de declarar. Na declaração relativa a 2009, teto era de R$ 17.215,08.


"Como sempre, a recomendação mais importante é não deixar a declaração do imposto de renda para ser feita em cima da hora", diz o advogado tributarista José Américo Oliveira da Silva, sócio do escritório Oliveira da Silva, Gonçalves, Campos e Silvério Associados.


Além das novas regras, o órgão também divulgou oficialmente a data para início e término do envio das declarações: de 1º de março até 29 de abril. O software para fazer a declaração deve ser baixado pelo site da Receita, mas ainda não está disponível.


Silva recomenda que os contribuintes já comecem a se organizar para fazer a declaração. "Na primeira quinzena de janeiro as empresas devem encaminhar o comprovante de rendimentos", diz, indicando que seja reservada uma pasta para que sejam guardados os documentos necessários para a declaração.


"Comprovantes de consultas médicas, gastos com escola, materiais escolares... Esses são alguns dos custos em que é possível haver retorno de imposto de renda", afirma o advogado.
Cuidado na hora da declaração desses custos é de extrema relevância ou corre-se o risco de cair na malha fina. Os pais separados e que pagam pensão alimentícia aos filhos também devem ficar atentos às regras de declaração para não correr o mesmo risco. Quem tem investimentos na Bolsa de Valores de São Paulo deve receber de suas corretoras o extrato das aplicações. O mesmo vale para quem mantém investimentos em grandes bancos. "Normalmente, eles enviam, mas se o contribuinte não recebê-lo até fevereiro, é bom entrar em contato com o gerente ou corretor", completa Silva.


Ele reforça que é importante "se organizar com calma para que não haja dor de cabeça no futuro."

Fonte: CFC