Palavras do Mestre dos Mestres

Palavras de despedida do Professor Antonio Lopes de Sá no X Prolatino, realizado em novembro de 2009.

“Eu não sei quanto tempo de vida me resta. Quem me criou também determinará, naturalmente, a hora em que serei convocado para outras missões. Posso ver, nesse poente da vida, muitas coisas. Eu dediquei feriados, dias santos, horas que roubei da família para dedicar a vocês. A minha última palavra é: “Enquanto um sopro de vida me restar, ele será de vocês”. Não sou candidato a nada. Não é discurso político, mas quero estar no coração de vocês”.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

FILHO DE CATADOR DE GARRAFAS GANHA BOLSA DE MESTRADO NOS EUA E LUTA PARA SEGUIR ESTUDOS

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Simone Harnik

Em São Paulo

Depois de se formar em administração em Belo Horizonte, Bruno Lucio Santos Vieira, 22, ingressou no mestrado em relações internacionais na Ohio University, nos Estados Unidos. Hoje, no curso, o estudante dedica seu tempo a disciplinas como história econômica norte-americana e mercados financeiros.

A biografia resumida acima pode parecer com a de algum brasileiro bem-nascido e cheio de oportunidades. No caso de Bruno, entretanto, cada passo tem sido uma batalha: filho do aposentado Henrique Barbosa Vieira, 68, e da dona de casa Neide Lúcia Santos Vieira, 56, o rapaz concluiu a educação básica toda em escola pública, fez a graduação pelo Prouni (Programa Universidade para Todos) no Centro Universitário Una e ganhou, pelo bom desempenho, desconto para a pós-graduação. 

No entanto, há um semestre na terra de Obama, e ainda que tenha a bolsa de estudos, os custos de vida têm comprometido o futuro acadêmico do jovem. A cada mês, ele fica mais 600 dólares no vermelho – o que corresponde a aproximadamente R$ 1.100. "Quando vim, não ficou claro que haveria tantos gastos, e eles comprometeram o orçamento", conta.

E a família não tem como ajudar. "Meu marido ganha um salário e meio. Acabou de passar por um câncer de próstata. Para complementar a renda, ele recolhe garrafas, e eu lavo para vendermos", diz Dona Neide, que se esforça para segurar a saudade e as lágrimas sempre que fala com o filho. "Ele é o meu caçula e toda a vida foi exemplar. Muito carinhoso. Mas estou muito triste com as dificuldades que ele está passando."

Arquivo Pessoal

Depois de se formar na faculdade pelo Prouni, o jovem seguiu para mestrado no exterior (Foto: Arquivo Pessoal)

Ajuda dos novos amigos

Mesmo trabalhando para a faculdade – dentro dos limites da lei –, tem sido bem difícil bater a quantia necessária a cada mês, diz o jovem. E as economias que fez enquanto trabalhava no Brasil já se foram.

A sobrevivência tem dependido da boa vontade dos novos amigos nos EUA. Dois ucranianos e um espanhol têm financiado o aluguel e a comida para Bruno e sua mulher, Poliana. O casal ainda consegue almoçar de graça duas vezes por semana em igrejas da cidade.

O casamento, que não completou um ano, terá de resistir à distância. Com a falta de dinheiro, Poliana já está de malas prontas para retornar ao país.

Nem luxo nem lixo

O mobiliário da casa que Bruno divide com os europeus recebeu vastas contribuições do desperdício ou do desapego da comunidade de Ohio. "Quando alguém nos pergunta onde compramos armário, mesas, cadeiras, sofá, sempre brinco que foi no 'Trash.com' [em inglês, "trash" quer dizer lixo]. Achamos também panela, pratos, copos, talheres", relata Bruno, que chegou a receber até doações de comida.

Primeiro da turma

Durante a faculdade, a performance do jovem foi alvo de elogios dos docentes. Segundo a coordenadora do curso de administração do Una, Christiana Metzker Netto, ele "tem muito potencial".

"Bruno teve 94 pontos [em cem] de média geral. Tirou de letra a faculdade e foi um aluno exemplar. No trabalho final, tirou 99 pontos – e as médias costumam ser bem mais baixas", revela. "O curso também pede 60 horas de atividades complementares, que os alunos demoram a cumprir. Bruno fez 255 horas".

O empenho rendeu troféu de melhor aluno do curso, mas não foi suficiente para garantir a permanência no mestrado. E o rapaz tem recorrido ao seu passado acadêmico para buscar auxílio – concorre a novas bolsas, ainda sem certezas.

O mais jovem de cinco irmãos, primeiro a se formar na faculdade e a ir ao exterior, é admirado pela família e espera voltar com o mestrado concluído. "Todo herói tem de ter um pouco de louco, tem de arriscar. Pensei que essa podia ser a minha única chance de continuar estudando", diz.

Fonte: Uol

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A mudança contábil da Previdência

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Valor Econômico

Ribamar Oliveira

O ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho, está negociando com os seus colegas de ministério um novo tratamento contábil às renúncias de receitas que agravam o déficit do sistema previdenciário brasileiro. A proposta do ministro, que ainda não foi apresentada à presidente Dilma Rousseff, é que cada área beneficiada com o tratamento contributivo privilegiado contabilize o custo imposto à Previdência.

O custo das renúncias continuará sendo bancado pelo Tesouro Nacional, como ocorre hoje. A mudança, portanto, é puramente contábil e poderá dar maior transparência às contas públicas. Mas não significa uma reforma previdenciária e nem está sendo apresentada como tal.

A discussão sobre as renúncias previdenciárias não é nova. Na verdade, ela teve início quando a lei complementar 101/2000, também chamada Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), determinou que o governo apresentasse um demonstrativo com a estimativa da renúncia de receitas, incluindo a previdenciária.

Dificuldade é estimar o valor da renúncia

A preocupação do legislador foi colocar um freio nessas renúncias que sangravam os cofres da União, dos Estados e dos municípios. A LRF exigiu que o administrador adotasse medidas de compensação das perdas de receita.

A primeira estimativa das renúncias previdenciárias foi feita pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ainda em 2000 e o resultado encontrado foi de R$ 6,5 bilhões.

Este ano, as renúncias previdenciárias deverão ficar em torno de R$ 21 bilhões. O projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) prevê s renúncias de R$ 23,3 bilhões em 2012, o que representará 7,8% de toda a arrecadação previdenciária prevista para o próximo ano. É uma perda de receita elevada e, sem dúvida nenhuma, precisa ser levada em consideração quando se analisa o déficit do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), mais conhecido como INSS.

O RGPS opera em regime de repartição simples, ou seja, a receita obtida com as contribuições dos trabalhadores em atividade financia os benefícios pagos aos aposentados e pensionistas. Se a legislação dá tratamento contributivo privilegiado a alguns setores da sociedade, que ficam isentos ou passam a pagar menos que os demais, o equilíbrio financeiro e atuarial fica comprometido. A conta só fecha com a ajuda do Tesouro Nacional.

Atualmente, as entidades filantrópicas são isentas de contribuição previdenciária (ou seja, elas não pagam as contribuições patronais de seus empregados), os clubes de futebol e os empregadores domésticos têm uma regra especial, assim como os produtores rurais. A maior renúncia ocorre com as micro e pequenas empresas optantes do Simples, estimada para o próximo ano em R$ 12,6 bilhões.

A mudança que está sendo proposta pelo ministro Garibaldi é puramente contábil e não terá impacto fiscal, como observou o economista Marcelo Abi-Ramia Caetano, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplica (Ipea), em conversa com este colunista. Não haverá despesa nova e nem receita nova. Ela permitirá, no entanto, identificar melhor aqueles setores que estão sendo beneficiados com tratamento previdenciário diferenciado, o que significa transferência de recursos públicos. A renúncia sempre resulta em benefício para alguém.

Ao passar o custo para cada área beneficiada com as renúncias, o ministro Garibaldi deseja "limpar" as contas da Previdência do resultado de decisões da sociedade que reduziram a receita previdenciária.

Cada ministério beneficiado registraria em sua contabilidade o custo da renúncia e teria que transferir para a Previdência Social uma receita correspondente. Com isso, o déficit previdenciário seria diminuído no valor da renúncia.

Há duas questões a serem avaliadas, como observou o economista Marcelo Caetano. A primeira é que incorporar ao fluxo de caixa da Previdência uma receita que, efetivamente, não ingressou nos cofres públicos pode soar estranho. A segunda questão é que não é fácil estimar qual foi efetivamente o valor da renúncia. Este valor corresponde à diferença entre a receita obtida com as regras favorecidas e a receita que poderia ser alcançada, se as contribuições fossem iguais à regra geral.

O problema é que se um determinado setor atualmente favorecido tivesse que contribuir pela regra geral, talvez optasse pela informalidade, ou seja, parasse de contribuir. Nesse caso, a receita poderia até mesmo cair. Qualquer estimativa para a renúncia, por mais técnica que seja, poderá sempre ser questionada. Talvez uma saída seja adotar uma estimativa conservadora. Outro caminho é continuar divulgando, de forma mais enfática, o déficit previdenciário com e sem as renúncias. Com o tempo, os números chamarão a atenção da sociedade para o fato de que parte do desequilíbrio previdenciário decorre de tratamento diferenciado concedido a determinados contribuintes.

Ribamar Oliveira é repórter especial em Brasília e escreve às quintas-feiras
E-mail ribamar.oliveira@valor.com.br

Fonte: Valor Econômico

CFC

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Gafisa terá que republicar balanço de 2009 no padrão americano

Notícias

 

Valor Econômico

Fernando Torres

A Gafisa, única incorporadora imobiliária brasileira com papéis negociados na Bolsa de Nova York, terá que reapresentar nos Estados Unidos o balanço de 2009 no padrão americano, por conta de um entendimento que a auditoria externa, Ernst & Young, teve sobre classificações contábeis que tinham sido feitas pela empresa e aprovadas sem ressalvas pela antiga auditoria, Terco, adquirida pela E&Y em setembro do ano passado.

As diferenças afetam o reconhecimento de receita, a posição de caixa e o registro de despesas financeiras da companhia. Somente o primeiro ponto terá efeito no resultado e patrimônio, ainda não mensurado totalmente.

As mudanças ocorrerão apenas na reconciliação dos números para o padrão conhecido como US Gaap, publicada em nota explicativa do formulário anual de informações da Securities and Exchange Commission (SEC), chamado 20-F.

Os balanços de 2009 e 2010 divulgados no Brasil, que seguem o padrão internacional de contabilidade IFRS, conforme aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), continuam valendo, assim como os pareceres sem ressalva de Terco e Ernst & Young.

Apesar de a E&Y ter sido a principal responsável pela decisão de que o balanço de 2009 seja reapresentado nos Estados Unidos, ela não poderá dar parecer sobre os números.

Naquele ano, antes da aquisição da Terco, a Ernst & Young prestava serviço de auditoria interna para a Gafisa. Conforme entendimento da SEC, não haveria conflito de interesse se ela fosse auditora externa para o balanço de 2010. Mas, como os demonstrativos financeiros de 2009 terão que ser reapresentados, a conclusão é que ela está impedida de dar o parecer.

Representantes da Gafisa chegaram a conversar com membros da SEC em Washington, há duas semanas, destacando que a própria necessidade de republicação do balanço seria um indicativo da independência da E&Y, mas não tiveram sucesso.

Uma nova firma de auditoria foi contratada na sexta-feira, conta Fernando Calamita, diretor de planejamento e controle da Gafisa. Ele não revela o nome da empresa, porque a SEC precisa ser informada antes.

Em relação à posição de caixa, a diferença de entendimento da Ernst & Young se deve aos recursos que a empresa possui em um fundo de investimento exclusivo. Como a aplicação permite resgate no curto prazo, ela era classificada na conta de "caixa ou equivalentes de caixa".

No entender da nova auditoria, pelo fato de ser um fundo exclusivo, deve-se olhar os ativos que compõem a carteira - e não apenas o fundo -, sendo que há títulos com vencimento em prazos mais longos. Nesse caso, o registro deve ser feito na conta de aplicações financeiras.

Outra divergência de entendimento está ligada a negócios que a Gafisa tem em parceria com o Itaú Unibanco. O banco é sócio da Gafisa em alguns empreendimentos estruturados como sociedades por cota de participação. O resultado e os dividendos a que a instituição financeira tem direito eram registrados como participação minoritária. No entender da EY, por se tratar de um negócio com um banco e pelas características do contrato, o registro deveria ser feito na conta de despesas financeiras.

Nesses dois casos, houve apenas reclassificação entre contas, sem impacto no resultado. E a Gafisa fez as duas alterações também no balanço brasileiro de 2010, com a adoção do IFRS.

A mudança mais complicada e que afetará apenas o resultado da Gafisa em US Gaap está ligada ao reconhecimento de receita.

No Brasil, desde o início das vendas, ainda na fase de lançamento de um empreendimento, já é possível registrar receita correspondente ao custo da compra do terreno. No padrão americano, o registro só pode ser feito a partir da fundação da obra e depois que o comprador paga ao menos 5% do valor devido, o que indicaria um real comprometimento com a aquisição.

Isso já era seguido pela Gafisa. A mudança ocorre nos casos em que há cancelamento de compras, chamados distratos. Quando um comprador desiste do imóvel, ele recebe uma parte do valor já pago de volta - descontadas as despesas de venda, marketing, contratos etc.

Esse valor devolvido era registrado pela Gafisa como despesa com devedores duvidosos.
No entender na Ernst & Young, o montante deve ser abatido da receita, em todos os contratos. E essa possível devolução deve constar do cálculo dos 5% que permitem o início do registro da receita. Em um exemplo: se o comprador já quitou 9% do valor do imóvel, mas com a possível devolução em caso de distrato teria pago apenas 4,5% do valor do apartamento, a receita não pode ser registrada, independentemente da fase da obra.

Segundo o diretor de planejamento e controle da Gafisa, tanto a Terco, quando era parceira da Grant Thornton, quanto a PricewaterhouseCoopers (PwC), que auditou os números em 2007 e 2008, tinham visão diferente da mostrada pela EY agora.

Ainda segundo Calamita, a republicação do balanço só deve ocorrer no prazo de quatro meses, já que exige revisão de contrato por contrato de 2009 e também dos anos anteriores. Para dificultar mais o processo de recálculo, o sistema de informática usado na subsidiária Tenda, na época, era da Microsiga, enquanto hoje os controles são feitos pelo SAP.

Diante do caso, a empresa pediu prazo adicional à SEC para reapresentar o 20-F de 2009 e também o documento de 2010.

Fonte: Valor Econômico

CFC

Câmara aprova reajuste de 4,5% das tabelas do Imposto de Renda

Notícias

 

Agência Câmara

Projeto de lei de conversão para a Medida Provisória 528/11 também inclui entre as deduções na declaração anual do IR os gastos com plano de saúde de empregado doméstico.

O Plenário aprovou, nesta terça-feira, a Medida Provisória 528/11, que corrige em 4,5% a tabela do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), assim como as deduções permitidas. A faixa de renda isenta de IR passa de R$ 1.499,15 para R$ 1.566,61 em 2011. O texto aprovado é o do projeto de lei de conversão do deputado Maurício Trindade (PR-BA) e será analisado ainda pelo Senado.

O índice usado corresponde à meta de inflação buscada pelo governo e é o mesmo aplicado desde 2006. A MP o aplica até 2014 também para os limites das despesas com educação e dependentes, o desconto de aposentadoria ou pensão paga a maiores de 65 anos e o desconto presumido para quem faz a declaração simplificada.

Como a MP foi editada em março, os novos valores mensais valem a partir de 1º de abril, e os anuais para a declaração de ajuste que deverá ser entregue em 2012. Somente nessa ocasião, o contribuinte terá direito à dedução maior para os meses de janeiro a março, refletida no imposto a pagar ou a receber.

Além dos novos valores das faixas de isenção e tributação que valem desde abril, o contribuinte terá direito ao desconto mensal para dependentes (R$ 157,47 cada um em 2011) retirado da base de cálculo do IR.

Os aposentados e pensionistas com mais de 65 anos de idade terão direito também a deduzir mensalmente de seus proventos a parcela de R$ 1.566,61 em 2011.

Todos os outros valores reajustados em 4,5% terão aplicação prática na declaração de ajuste anual.

Índices maiores rejeitados

O Plenário rejeitou nominalmente dois destaques da oposição que pediam índices maiores de reajuste.

Um, do PSDB, queria emplacar reajuste de 5,9% por meio de emenda do líder do partido, deputado Duarte Nogueira (SP); e o outro, do DEM, queria aprovar emenda do seu líder, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), para reajustar as deduções com educação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mais 5%.

Trabalhador doméstico

Entre as mudanças feitas pelo relator na MP está a permissão para o empregador descontar da base de cálculo da declaração de ajuste de seu imposto os gastos com planos de saúde de seu trabalhador doméstico, limitado a um por declaração e a R$ 500 anuais.

"Acabou de ser criado, basicamente, o plano de saúde da empregada doméstica", destacou Trindade, ressaltando que o Brasil tem hoje cerca de 7 milhões de trabalhadores domésticos. Ele considera que o benefício vai estimular a formalização dessa categoria. O relator lembra que, com o desconto da contribuição patronal, cerca de 700 mil trabalhadores domésticos passaram a ter a carteira assinada.

Trindade também recolocou na legislação do imposto o desconto, na declaração de ajuste anual, da contribuição patronal do empregador doméstico incidente sobre a remuneração do empregado. O benefício foi aplicado até 2010, mas não constava da redação original da MP.

A contribuição poderá ser descontada do imposto apurado até o exercício de 2015, ano-calendário de 2014.

Prazo para documentos

Uma das emendas incluídas pelo relator na MP estabelece prazo mínimo de 30 dias para que o contribuinte pessoa física apresente documentos comprobatórios à Receita Federal quando o órgão assim solicitar na fiscalização dos lançamentos na declaração de ajuste anual.

Fonte: CFC

Conselho Regional de Contabilidade do Ceará realiza palestra para contabilistas, advogados e estudantes

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Comunicação CFC

Será realizado no dia 13 de julho, na cidade de Fortaleza (CE), a palestra "Contabilizando solidariedade para construir dias melhores". Renomados profissionais da contabilidade, como o presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Juarez Domingues Carneiro, o presidente da Fundação Brasileira de Contabilidade (FBC), José Martonio Alves Coelho, e a presidente da Academia Brasileira de Ciências Contábeis, Maria Clara Cavalcante Bugarim, já confirmaram presença.

Na oportunidade, será assinado um Convênio de Cooperação entre a Fundação Brasileira de Contabilidade (FBC) e a Associação Nacional de Procuradores e Promotores de Justiça de Fundações e Entidades de Interesse Social, tendo como intervenientes o Conselho Federal de Contabilidade e a Academia Brasileira de Ciências Contábeis.

As inscrições estão abertas no site www.crc-ce.org.br . Para participar, basta levar dois (2) quilos  de alimentos não perecíveis, exceto sal.

Serviço:
Palestra: Contabilizando solidariedade para construir dias melhores
Público-alvo: Profissionais da contabilidade, advogados, estudantes e demais interessados.
Data: 13/07/2011
Hora: 19h30
Loal: Sede do CRC-CE, (Av. da Universidade, 3057 ? Benfica ? Fortaleza/CE)

Material de divulgação do evento

Fonte: CFC

terça-feira, 5 de julho de 2011

Empresas pretendem contratar na área de finanças

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Diário do Grande ABC

A chance de um executivo brasileiro responder positivamente ao ser questionado sobre a intenção de contratar profissionais de finanças e de contabilidade é grande. De acordo com a pesquisa internacional de mercado de trabalho realizada pela Robert Half, 54% dos brasileiros apostam no aumento de suas equipes nos próximos seis meses.


De longe, o Brasil é o País onde há maior confiança. Em países como Suíça, Dubai, Luxemburgo e República Checa o índice não passa de 15%.

As principais razões para as contratações em finanças e contabilidade, no Brasil, são o crescimento dos negócios/expansão (53%) e o aumento da carga de trabalho (30%).

 

O levantamento ouviu 2.525 executivos da área de finanças e recursos humanos no Brasil, Áustria, Bélgica, República Checa, Dubai, França, Alemanha, Itália, Luxemburgo, Suíça e Holanda. "O Brasil continua como um dos principais alvos dos investimentos e há volume grande de empresas em expansão, o que justifica a necessidade de ampliação dos quadros", explica o especialista em recrutamento da divisão de finanças e contabilidade da Robert Half, Mário Custódio.

 

Em contraposição à grande oferta de oportunidades e empresas brasileiras em busca de profissionais das áreas de finanças e de contabilidade está a dificuldade em encontrar mão de obra qualificada. Entre os brasileiros, 97% consideram desafiador achar profissionais qualificados, sendo que um em cada dois executivos brasileiros avalia a tarefa como muito desafiadora.

 

Fonte: CFC

segunda-feira, 4 de julho de 2011

PwC defende a relevância do auditor

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Valor Econômico

Helen Thomas | Financial Times, de Nova York


Dennis Nally certa vez tentou reforçar suas habilidades no golfe praticando Bikram yoga - também conhecido como "hot yoga", uma vez que envolve a realização de 26 posições em 90 minutos sob um calor de 40ºC. "É um treinamento formidável", fala com entusiasmo o presidente do conselho de administração da firma de auditoria e consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC). Mas ele não é mais um fã. "Descobri que você desenvolve uma tendência de trabalhar exageradamente os músculos, o que não é bom."

 

Talvez seja natural o fato de o chefe de uma companhia conhecida como uma das "Big Four" [as quatro maiores empresas de auditoria e consultoria do mundo] se preocupar com questões como força e tamanho. "Estamos numa verdadeira corrida para continuar sustentando nossa posição de liderança como a maior rede de serviços profissionais do mundo", diz ele em seu luxuoso escritório no centro de Manhattan, com vista para o Empire State Building.

 

Se a PwC, que emprega cerca de 162 mil em 154 países, vem liderando ou não essa corrida depende a quem você pergunta. Com receitas de US$ 27 bilhões em 2010, a organização está praticamente palmo a palmo com a Deloitte pelo posto de maior do mundo.

 

Nally, 59, que é presidente do conselho de administração da empresa guarda-chuva que abriga as várias parcerias da PwC desde 2008, não está apenas preocupado com o tamanho, e sim em como organizá-lo. As paredes de sua sala são decoradas com fotografias de pessoas famosas com as quais ele já esteve - Dmitry Medvedev, presidente da Rússia, Bill Clinton, ex-presidente americano, e Condoleezza Rice, ex-secretária da Estado americana -, mas Nally gostaria mesmo é de conhecer o Papa.

 

Sua própria fé católica tem pouco a ver com isso. Na verdade Nally parece impressionado com a façanha de coordenação que o Papa vem empreendendo. "Quando penso na Igreja Católica, todos os seus problemas, desafios e o que estão tentando fazer, fico imaginando que seria interessante passar um tempo curto, mas valoroso, com uma pessoa como ele", diz.

 

Com um sorriso irônico, ele menciona "o debate sadio" necessário para fazer todas as partes do império da PwC seguirem a mesma direção. Mas isso é algo que Nally aparentemente faz com prazer. "Em termos de como você movimenta uma organização tão grande quanto a nossa, tudo começa com a estratégia, um bom acordo e alinhamento com o que você está tentando fazer", diz ele.

 

Segundo de três filhos, Nally provavelmente está acostumado com vozes conflitantes. Nascido em Washington, ele se mudou para Detroit por força do emprego do pai no FBI. Em vez de seguir o pai na luta contra o crime, ele se viu investigando contas corporativas como auditor júnior da PwC. "Minha expectativa era a de que começaria na firma, passaria dois anos lá, conseguiria meu CPA [certificado americano de qualificação em contabilidade] e provavelmente acabaria trabalhando em uma montadora", diz ele. Na época, observa, quando Detroit era a "capital mundial do automóvel", todo mundo parecia acabar no setor.

 

Mas ele ficou na PwC. "Cresci no mundo da auditoria e me envolvi com algumas das maiores contas da firma, principalmente na área de tecnologia", diz ele.

 

Hoje em dia, o desafio de coordenar todas as diferentes partes da PwC vem acompanhado do escrutínio que a profissão de contador vem sendo alvo, por parte de autoridades reguladoras no mundo. A crise financeira e a recessão econômica que se seguiu levantaram dúvidas sobre a utilidade dos contadores afinal ou, como colocou Nally em sua carta ao presidente do conselho de administração no ano passado, sobre "a relevância no longo prazo da auditoria e o valor que ela proporciona ao mercado".


Eis um pouco de verborragia administrativa. "O envolvimento em uma discussão com os principais detentores de participações em torno de suas expectativas, e então o que podemos realmente fazer para garantir nossa relevância ou nossa sustentabilidade no longo prazo, é na verdade um diálogo que vale muito a pena ter", diz ele.


E as fraudes ou contabilidade enganosa? Certamente os auditores ficam na linha de fogo quando um caso desses acontece sob sua supervisão. Nally cruza os braços e pela primeira vez assume um ar defensivo. "Há padrões profissionais por aí e uma auditoria não é elaborada sobre esses padrões para detectar fraudes", diz, observando que a detecção de fraudes recai sobre outros indícios que incluem a governança de uma companhia, o tom adotado pela administração e os sistemas de controle.


"As razões disso acontecer dessa maneira são porque, embora sempre tomemos conhecimento de grandes fraudes, o número de situações como essas com as quais você de fato se depara é muito pequeno. Você não faz uma auditoria pela 'exceção' porque, francamente, o custo seria proibitivo para todos do mercado de capitais."


Assuntos quentes à parte, as autoridades reguladoras pairam no ar - ou, conforme coloca Nally com tato, "estão compartilhando suas perspectivas". No ano passado a União Europeia publicou um relatório onde demonstrava preocupações com a independência da profissão de auditor e com o domínio das Big Four. Nally vê méritos em algumas mudanças propostas, como a revelação de mais informações sobre os resultados de uma auditoria, em vez da atual postura aprovado-ou-não. Outras propostas, como o rodízio obrigatório das firmas, têm probabilidade menor de melhorar os padrões, diz.


"Quando você olha para o significado de algumas dessas instituições que auditamos, que realmente exigem conhecimento profundo, mudar os auditores de anos em anos fará você perder esse conhecimento institucional e diríamos que a probabilidade não é de uma melhoria da qualidade das auditorias; na verdade poderá ocorrer exatamente o oposto", afirma ele.


A qualidade da auditoria é uma questão que parece instigar Nally. Ele parece animado explicando: "Quando pensamos nas habilidades necessárias para se fazer uma auditoria hoje, em comparação há dez anos, vemos que elas são fundamentalmente diferentes."


A complexidade das organizações empresariais e a necessidade de conhecimento setorial, além de conhecimentos em escala global, tornou o processo de contabilidade muito mais complexo, afirma ele, e isso, entre outras coisas, levou à formação das Big Four.


Autoridades reguladoras estão agora questionando se essas quatro são na verdade "grandes demais para quebrar". Nally afirma que a importância delas simplesmente reforça a necessidade de gerenciamento de riscos de falência.


E no que ele chama de "um mercado intenso e competitivo", o alcance e os recursos de uma PwC, incluindo os braços de imposto comercial e consultoria, são necessários para atender as demandas complicadas dos maiores clientes de auditoria. Portanto, força e tamanho têm seus benefícios.

 

Fonte: Valor Econômico

CFC